sexta-feira, 19 de março de 2010

Barracas são retiradas da orla

Há 40 anos no calçadão, barraqueiros ameaçam voltar para vender lanches, água de coco e bebidas alcoólicas

Por causa das más condições de higiene e da ocupação irregular do espaço público, seis barracas de lanche e de bebidas foram retiradas, ontem, nas proximidades dos boxes que vendem peixes, no Mucuripe. O trabalho foi feito pelo Distrito de Meio Ambiente da Secretaria Executiva Regional II, com o apoio de policiais militares.

Freezers velhos e enferrujados, pedaços de pau e de lonas, mesas e cadeiras foram retirados. Enquanto isso, os bichos que se alojavam nas barracas, como baratas e formigas, também saíam dali, correndo pela areia da praia.

Alguns há 40 anos no local, vendedores comercializavam lanches, água de coco, refrigerantes e muitas bebidas alcoólicas. Os pescadores do Mucuripe eram os principais consumidores dos produtos.

A falta de higiene na área era evidente. Enquanto as barracas eram retiradas, uma água podre e suja escorria em direção ao mar. Sem falar nos insetos, que tomavam conta do local. Apesar disso, o dono de uma barraca retirada pela SER II, continuava afirmando que mantinha sua barraca limpa.

Manoel Nascimento dos Santos afirmou trabalhar no local há 40 anos. "Eu vou continuar vendendo de qualquer jeito. Só saio da praia quando eu morrer", disse ele. Já a vendedora Francisca Sousa da Silva assume a falta de limpeza no local, mas justifica: "Nós não temos como manter isso limpo. Eu passo o ciscador na areia e com pouco tempo está tudo sujo de novo. Além disso, não tem banheiro. Fazemos as necessidades embaixo de um plástico, na areia", ressaltou ela.

Segundo Estênio Rodrigues Cavalcante, assessor da Regional, os donos das barracas já haviam sido orientados, notificados e até retirados dali, mas retornavam em seguida. "Eles foram avisados e tiveram a chance de levar seus equipamentos para casa".

Rosana Queiroz, que se apresentou como representante de vários donos de barracas do local, informou os vendedores querem um espaço limpo e organizado para continuarem trabalhando no local, mesmo que tenham que pagar uma taxa por isso. "Muitos tiram daqui o único sustento da família. Eles querem ser colocados em boxes padronizados", afirmou.

No entanto, segundo a assessoria da SER II, a previsão é de que somente as barracas que vendem peixe e que ainda não possuem boxes serão contempladas numa possível ampliação da estrutura de alvenaria existente na Beira-Mar.

No próximo dia 22, outra ação será feita no local. Os equipamentos de outros 13 vendedores serão retirados pela SER II, mas. Conforme acordo feito com os donos, os equipamentos serão levados até a residência dos proprietários. Após a retirada, será feita uma limpeza na área. A Regional promete, ainda, retirar as embarcações abandonadas no local, já sem condições de navegabilidade, que também prejudicam a manutenção de limpeza da praia.

Um trabalho de ordenamento do comércio de ambulantes que circulam pela Beira-Mar foi feito, no ano passado, pela SER II. Vendedores de confecções, comidas, artesanato e produtos importados e que não possuíam permissão da Prefeitura para a atividade foram retirados.

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